terça-feira, 21 de abril de 2015

Ensaio em Abril

 
Era tarde quando percebi
Não havia luz ao meu redor
Meus olhos incendiados pelas brasas da injustiça
Ardiam e brilhavam como o sol

Tudo que havia ao meu redor ganhou novos contornos
Em um instante tudo se transformou em silencio
Não havia ninguém
Gente, bichos e flores
E fui varrido como uma folha em uma tempestade

O coração disparado
A boca seca
A garganta já não mais suportava os gritos contidos
E um punho tremulo se levantou

Tudo parecia novo
Mas, em essência empoeirado
Tudo parecia sonho
Mas, não durava até o amanhecer

Corri feito louco
Até perder as forças
Cai de joelhos no meio do outono
E as folhas que caiam tentaram sepultar meu corpo

As certezas se perderam em meio ao vendaval
Se dissolveram em meio as tempestades
Se quebraram puxadas por mãos de medo

Ohei para minhas mãos
E já não pareciam minhas
Percebi de joelhos
que elas se arrastavam no chão

Mais do que uma racionalidade sem paixão
Era um ser longe de seu tempo
Uma chama sem brilho
que facilmente se apagava com uma leve brisa

Dura lição a ser aprendida
Mas nos faz entender
que para mudar essa terrivel realidade
São necessários mais que sonhos e coragem
Mais que teorias e filofofos
Precisamos caminhar juntos para suportar o peso desse tempo histórico que insiste em tentar colocar todos nós de joelhos

Tcherbo

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