terça-feira, 21 de abril de 2015

Amizade em tempos de escuridão

 
Pensam que são livres ao criticarem a escravidão das outras pessoas de dentro de celas que mal conseguem entender.
Pensam que dizer o que devemos sentir ou como deve ser determinada situação do alto de sua liberdade alivia o ranger das correntes em seus pés.
Fogem da virtude e da moral, mas esquecem que a flores que cultivam carregam seus espinhos
Provocam, dissimulam e convertem
Transformam a beleza em conduta marcada
Julgam que teorias sozinhas podem iluminar corações vazios em tempos de completo ódio
Oh! são mais livres carregando suas tochas em meio aos farrapos
Mas a brisa doce do sarcasmos que praticam insistem em apaga-las no fim de tarde
 
 Tcherbo

Momento

 
Há um peso em nossas costas, não há como negar. Sim. Algo muito forte empurra nossos troncos contra o chão.
Nosso olhar já não vislumbra o horizonte, porque as cabeças apontam para o chão. Para nossa segurança, gritam alguns. "O horizonte é longínquo e desafiador", justificam.
Devemos olhar para nossos próprios passos, esbravejam! Olhemos para nossos próprios pés
Mas há alguns - denominados loucos, subversivos, comunistas - que insistem em levantar a cabeça e enfrentar o peso que esmaga nosso tronco.
"Perigo!" Esbravejam os jornais.
Reuniões entre os que colocam em nossas costas o peso. Gritaria! Murros sobre a mesa. "Isso é inadmissível!", grita alguém no fundo escuro da sala. Agitadores! Precisamos aumentar a quantidade de peso em suas costas!
Mas uma idéia surge na frente da sala e toma o salão. "Vamos aumentar as migalhas". "Vamos entretê-los, vamos esmagá-los". Aplausos tomam a sala. Sorrisos na mesa dos dominadores derrubam por entre os dentes migalhas maiores ao chão. Entre os que carregam o peso nas costas, alguém grita: "Vê como são bons! Agora temos mais força para levantar nossas cabeças."
Brigando entre tapas pelas migalhas imundas pelo pó do chão as cabeças começam a baixar ainda mais.
E como são amargas as migalhas. Como nos fazem perder tempo enquanto nossos dominadores sorriem no seu jantar que parece eterno.
Mas há alguns que não se iludem. Denunciam que as migalhas maiores advém do sorriso porco de nossos dominadores. Que o ronco de fome de nossos estômagos é a sinfonia que toca nesse jantar.
Chega! Mil vezes chega!
Podemos arrastar nossos pés sangrentos pelo peso em nossas costas, mas não cairemos de joelhos.
Chega! Chega de migalhas!
É hora de voltarmos a ver. É hora de ver a aurora no horizonte que rompe como uma espada a longa madrugada fria que durante muito tempo pareceu eterna.
É hora de voltarmos a sonhar. Mas é hora, principalmente, de resgatar nossos sonhos das mão daqueles que os roubaram e continuam a roubar.
Levanta a cabeça e luta, camarada!

Tcherbo


O céu desaba contra nós
Nos sentindo sozinhos
Sentimos um peso enorme
Que cai sobre nós

A locura desses dias parece nos imobilizar!

Mas olhamos ao nosso redor
Lutamos contra nossos olhos querendo se fechar
Insistimos em olhar o horizonte e aqueles que estão ao nosso lado
A dor e um frio brutal nos assolam
Nosso corpo treme, mas seguimos em frente

Por todos os lados há corpos caidos
Mentes devastadas
Vidas em vão
Mas, seguimos

Nosso passos agora parecem pesar toneladas!

Em um instante
Olhamos a esquerda e a direita
Vemos farrapos ao nosso lado
Mas, seguem
E, de forma estranha,
Estão ao nosso lado
Seus olhos brilham
na escuridão
Iluminam nossos passos mais do que o próprio sol
Descobrimos então,
que por maior que seja a tempestade
O sol volta a arder pela chama que arde nos corações daqueles que continuam a caminhar

Tcherbo
Amar é tremer de ansiedade no crepúculo e se perder na docê ilusão da noite. É a melancolia da despedida durante a aurora. É a dor de sentir o calor da verdade durante uma manhã quente!

Tcherbo

Ensaio em Abril

 
Era tarde quando percebi
Não havia luz ao meu redor
Meus olhos incendiados pelas brasas da injustiça
Ardiam e brilhavam como o sol

Tudo que havia ao meu redor ganhou novos contornos
Em um instante tudo se transformou em silencio
Não havia ninguém
Gente, bichos e flores
E fui varrido como uma folha em uma tempestade

O coração disparado
A boca seca
A garganta já não mais suportava os gritos contidos
E um punho tremulo se levantou

Tudo parecia novo
Mas, em essência empoeirado
Tudo parecia sonho
Mas, não durava até o amanhecer

Corri feito louco
Até perder as forças
Cai de joelhos no meio do outono
E as folhas que caiam tentaram sepultar meu corpo

As certezas se perderam em meio ao vendaval
Se dissolveram em meio as tempestades
Se quebraram puxadas por mãos de medo

Ohei para minhas mãos
E já não pareciam minhas
Percebi de joelhos
que elas se arrastavam no chão

Mais do que uma racionalidade sem paixão
Era um ser longe de seu tempo
Uma chama sem brilho
que facilmente se apagava com uma leve brisa

Dura lição a ser aprendida
Mas nos faz entender
que para mudar essa terrivel realidade
São necessários mais que sonhos e coragem
Mais que teorias e filofofos
Precisamos caminhar juntos para suportar o peso desse tempo histórico que insiste em tentar colocar todos nós de joelhos

Tcherbo

O Povo da Ilha

 
Havia um Povo que morava em uma ilha cujo nome já se perdeu há muito tempo. Esse Povo em tempos sombrios decidiu sonhar. Em tempos de silêncio amargo decidiu gritar. Tal povo desafiou o império mais poderoso da história da humanidade e não aceitou a imposição do seu modo de vida. Escolheu dar um basta ao tipo de existência mediocre que o império tinha a necessidade de obrigar todos a viver. Decidiu ser livre e assumir todas as contradições e problemas que o sonho de liberdade em tempos de escravidão pode trazer.
Essa ilha pequena se transformou em uma gigantesca inspiração para os povos do mundo e passou a ser um farol em meio à um mundo preso na escuridão. Esse bravo povo tinha suor e lágrimas escorrendo por suas ruas, mas mesmo com todas as dificuldades e sofrimento não renunciava a sua liberdade conquistada com sangue.
O império com medo do defasio posto no seu velho quintal decidiu que esse povo, assim como todos os outros durante a história, não tinha o direito de serem livres de seu domínio e do seu modo de pensar.
O império então decretou a necessidade de exterminar esse sonho perigoso. Assim, o Povo da ilha que tinha decidido ajudar os outros povos do mundo como se fossem seus irmãos foi, ironicamente, isolado do mundo pelo império. Ninguém poderia negociar com os inimigos do império ou sofreria as consequências.
O império financiou o que ele próprio, nessa época, denominava de grupos terroristas para que semeassem a desordem no país e tentassem sistematicamente assassinar os governantes. Em qualquer lugar do mundo, inclusive no império, quem comete esse tipo de atitudes é considerado um traidor do seu povo, um criminoso. Porém, esses criminosos que atentavam contra o seu próprio povo eram transformados em herois e tinhas férias garantidas em um enorme parque de diversões do império chamado Flórida.
O império ao longo dos anos passou a investir mais em outro tipo de ataque ao Povo da ilha, pois mesmo diante de todos os problemas causados pelo bloqueio e pelos mercenários o povo da ilha continuava não se curvando ao império e ao seu modo de vida. Continuava despertando nos povos admiração. Passou então a usar sons e imagens mostrando todos os problemas da ilha que, na maioria das vezes, foram criados pelo próprio império com suas políticas de ataque econômico. Esses sons e imagens eram reproduzidos em todo o globo por escravos modernos para construir o pensamento do que o império chamava de "mundo livre".
O que os velhos aparelhos de televisão usados para tentar convencer os povos do mundo à não seguirem o exemplo do povo da ilha não mostravam é que no chamado "mundo livre" do império milhares de crianças morriam todos os dias de desnutrição e, por outro lado, o povo da ilha foi o primeiro país do mundo a acabar com ela em seu território. O que os aparelhos de televisão não mostravam é que o povo da ilha conseguiu apesar de todos os seus problemas níveis de saúde e de escolaridade muito superiores aos países de mesma proporção econômica e muito superiores aos do próprio império. O que os aparelhos de televisão não mostravam é que a eleições na ilha não eram disputadas por seres artificiais que se tornam prisioneiros de seus financiadores de campanha, mas o real poder popular é executado desde os bairros até o parlamento. Principalmente, os aparelhos de televisão não mostravam a resistência de um povo que decidiu começar o árduo trabalho de destruir uma estrutura social baseada na exploração e construir um outro mundo. Que a história desse povo nos sirva de inspiração.
 
Que o nome desse povo nunca seja apagado da história!
Viva Cuba livre!
Viva ao socialismo! Viva ao comunismo!
Ousar lutar, ousar vencer!
Tcherbo
 
 

O senso comum e suas certezas

 
 
Interessante observar pessoas que se diziam "apolíticas" tomarem posições extremamente conservadoras quando contradições são exacerbadas.
Interessante notar que os reacionários sempre se escondem por trás do manto da neutralidade, defendem um senso de justiça que lhes foi imposto como se fosse natural e se acham contestadores quando, na verdade, não conseguem reconhecer a própria miséria na qual estão atolados.
Interessante notar como muito dessas pessoas que são trabalhadore...s e filhos de trabalhadores não se reconhecem como tal. Traem a sua classe e defendem sua escravidão com todo vigor perdidos em ilusões. Muitos já enfrentaram privações enormes, mas se esquecem, quando conseguem se apropriar de certos fetiches, dos milhões que continuam em condições de vida miseráveis.
Interessante que a maioria dos soldados que defedem a ordem vigente são justamente aqueles que mais sofrem com ela. Dizem que outro mundo é impossível e criticam o socialismo como algo do passado e que nunca funcionou e nem nunca funcionará. Não percebem os tolos que não se precisa criticar aquilo que virou realmente peça de museu, mas se precisa combater e mostrar como ultrapassado aquilo que é a esperança da grande maioria e o pesadelo da imensa minoria.
 
Tcherbo